Qual a diferença entre câncer de pele melanoma e não melanoma?

Por Camaleão 05 de Janeiro | 2021

Qual a diferença entre câncer de pele melanoma e não melanoma?

 

Pacientes com câncer de pele melanoma e não melanoma somam uma estimativa de incidência de mais de 185 mil novos diagnósticos para 2020 no Brasil. Esse número é maior do que qualquer outro tipo de câncer(1).

 

A região sul do país, onde o Projeto Camaleão está localizado, possui as maiores taxas de incidência deste tipo de neoplasia. Especificamente no Rio Grande do Sul, a cada 100 mil pessoas, cerca de 10 serão diagnosticadas com melanoma e 278 com câncer de pele não melanoma(1).

 

Mas, afinal, qual a diferença entre melanoma e não melanoma? 

 

MELANOMA 

 

Desenvolvido nas células melanócitas, que dão cor à pele, ocorre principalmente pela exposição excessiva ao sol, a partir de nevos (pintas ou sinais) incomuns, ou mudança nestes com o passar do tempo, e histórico familiar. Representa apenas 3% dos casos de câncer(1) de pele e possui mais de 90% de chance de cura se diagnosticado em estágio inicial (2). No entanto, pode ser bastante agressivo se o diagnóstico for tardio. O número de pessoas com melanoma dobrou nos últimos 25 anos(3), um crescimento maior do que qualquer outro tipo de câncer, por isso é fundamental proteger a pele e evitar os fatores de risco para o desenvolvimento da doença. 

 

O melanoma normalmente se desenvolve na pele do tronco (homens), pernas (mulheres), braços e rosto, ou seja, nas partes do corpo mais expostas ao sol(4). Mas também pode aparecer nas palmas das mãos, nas plantas dos pés e  embaixo das unhas, especialmente na população negra(5). Esse tipo de câncer é 20% mais frequente(5) nas pessoas de pele branca, mas isso não significa que pessoas da raça negra devem deixar de proteger-se contra os raios UV. O melanoma é mais frequente nos homens, porém nas pessoas com menos de 50 anos, é mais comum nas mulheres. 

 

Tipos de Melanoma

 

Além do câncer de pele ser dividido entre melanoma e não melanoma, esses ainda são divididos em subtipos. Os quatro principais tipos de melanoma são: extensivo superficial, nodular, lentigo maligno e acral-lentiginoso(6)



  • Melanoma Extensivo Superficial

Representando aproximadamente 70% dos casos de melanoma, é o mais comum dos seus tipos. Manifesta-se principalmente nos jovens e é bastante comum em pessoas com muitas pintas ou com histórico de melanoma na família. Seu desenvolvimento está relacionado à exposição solar frequente e histórico de mais de 5 queimaduras solares, especialmente ocorridas na infância e na adolescência. Por isso, é muito importante a utilização de protetor solar e assessórios adequadamente.

 

Caracteriza-se pelo crescimento lento na camada horizontal da pele, para depois penetrar verticalmente nas camadas mais profundas. As primeiras alterações perceptíveis do melanoma extensivo superficial são bordas irregulares e forma assimétrica, que podem surgir em sinais ou pintas pré-existentes ou novos e apresentam coloração marrom claro, marrom escuro, preto, branco, vermelho ou azul. 

 

  • Melanoma Acral Lentiginoso: 

Caracteriza-se pela presença de manchas marrons ou pretas nas regiões das palmas das mãos, solas dos pés e embaixo das unhas. Por localizar-se nessa região mas atípica, e por vezes negligenciada, é muito importante incluir essas partes do corpo na rotina mensal do seu autoexame de pele e em caso de qualquer alteração procurar um especialista. 

 

Durante o seu desenvolvimento este tipo de melanoma também cresce primeiro horizontal e superficialmente na pele para depois crescer vertical e profundamente, no entanto essa progressão costuma ser mais rápida do que o melanoma extensivo superficial. Este subtipo da doença é mais incidente nas populações de pele negra e em asiáticos, apresentando menor número de casos nas pessoas de pele branca. Diferentemente do cenário geral do câncer de pele, que é mais frequente na população das regiões Sul e Sudeste do país (devido à origem de colonização européia), o melanoma acral lentiginoso é mais frequente em regiões do Norte e Nordeste brasileiro, como Manaus (30%) e Salvador (19%), enquanto na região Sul fica em torno de 5%.  

 

  • Lentigo Maligno Melanoma: 

É o tipo menos frequente do melanoma, representando entre 5% e 10% dos casos da doença e seu desenvolvimento está diretamente relacionado ao excesso de exposição ao sol, desenvolvendo-se principalmente em idosos devido ao acúmulo dos efeitos nocivos do sol. Aparece principalmente na face, orelhas, tronco superior e em áreas que sofreram muita exposição ao sol. 

 

Assim como os dois tipos mencionados anteriormente, tem inicialmente crescimento horizontal e superficial para depois progredir vertical e profundamente, porém esse processo pode ser bastante lento. Suas principais alterações são sinais irregulares de cor marrom claro, marrom escuro ou preta, podendo ter a superfície lisa ou levemente elevada. 

 

 

  • Melanoma nodular:

 

Corresponde entre 10 e 15% dos casos de melanoma, sendo o segundo tipo mais frequente da doença. É o tipo mais agressivo da doença, devido a sua característica de crescimento acelerado e bastante invasivo, atingindo as camadas superficiais e profundas da pele. 

 

Pode desenvolver-se em pessoas de todas as idades, inclusive em crianças, tendo como principais características o surgimento de um pequeno nódulo com crescimento acelerado e com coloração enegrecida ou azulada, acinzentada, marrom, bege ou rósea. Seu surgimento pode acontecer em qualquer parte do corpo, até mesmo  nas partes menos expostas ao sol como mucosas orais e genitais e no couro cabeludo. Por isso, reforçamos a importância do uso de chapéu quando expor-se ao sol e a realização do autoexame da pele. 

 

*conteúdo elaborado prioritariamente com informações do grupo Brasileiro de Melanoma

 

Metástase e Mutações Genéticas

 

Mais agressivo do que o tipo não melanoma, o melanoma  tem maior possibilidade de atingir outras partes do corpo, gerando metástases, principalmente no cérebro, ossos, fígado e pulmões(7)

 

Cerca de  50% de todos os melanomas, independentemente do estadiamento da doença (se inicial ou avançado) são causados devido à mutação (alteração na sua característica natural) no gene BRAF. E, dos casos metastáticos da doença, o percentual de casos com mutação no gene BRAF, principalmente nos seus subtipos V600E e V600K, se aproxima de 95%(8). Atualmente há tratamentos específicos para cada estádio da doença e adequado à mutação do seu gene, como as terapias alvo e imunoterapias.




NÃO MELANOMA

 

Representa cerca de 97% dos tumores de pele, geralmente pouco agressivo e com elevadas chances de cura(1)

 

Principais características (9)

 

  • Pinta ou sinal que apresente crescimento, coceira, sangramento frequente ou mude de cor, tamanho, consistência ou espessura.
  • Lesão rosada ou avermelhada de crescimento lento, mas constante.
  • Qualquer ferida que não cicatrize em quatro semanas.
  • Qualquer mancha de nascença que mude de cor, espessura ou tamanho.

 

O câncer de pele não melanoma divide-se principalmente em carcinoma espinocelular e carcinoma basocelular

 

 

  • Carcinoma espinocelular: 

 

Causado por proliferações atípicas nas células escamosas da pele (ou espinosas), é o segundo subtipo de câncer de pele não melanoma mais frequente, representando 15% dos cânceres de pele, no entanto vem crescendo em proporções epidêmicas. Com potencial  atingir outras partes do corpo, é mais frequente em pessoas com pele negra e normalmente tem origem em lesões pré-existentes, como cicatrizes e úlceras crônicas. São frequentes nas regiões mais expostas aos raios UV, como lábio inferior, face, membros superiores e pescoço(10).

 

 

  • Carcinoma basoceluar:

 

Originado nas células basais, que estão na camada mais profunda da epiderme, é o mais frequente dos tipos de câncer de pele, representando 70% do total(11). Se descoberto em estágio inicial é facilmente tratável, chegando a aproximadamente 100% de cura e dificilmente atinge outras partes do corpo(12). É frequentemente causado pelo acúmulo de exposição ao sol ou por queimaduras intensas. Cerca de 30 a 50% das pessoas que tiveram esse tipo de câncer possuem a possibilidade de desenvolvê-lo novamente(13). Por isso é fundamental o cuidado e acompanhamento médico permanente. 



A realização do autoexame da pele e a consulta anual com o dermatologista para fazer o check-up da pele são fundamentais para o diagnóstico do câncer de pele melanoma e não melanoma, culminando em tratamentos mais exitosos. 

 

Se você foi diagnosticado com câncer de pele, você também pode contar com nosso apoio! Entre em contato e participe de nossas atividades! 

 

Referências:

1 https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/estimativa-2020-incidencia-de-cancer-no-brasil

2 https://www.sbd.org.br/dermatologia/pele/doencas-e-problemas/cancer-da-pele/64/#:~:text=Embora%20o%20diagn%C3%B3stico%20de%20melanoma,em%20tons%20acastanhados%20ou%20enegrecidos.

3 https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962011000400007#:~:text=A%20incid%C3%AAncia%20do%20melanoma%20aumentou%20nos%20%C3%BAltimos%20anos.&text=Segundo%20Schaffer%20et%20al%20(2004,do%20que%20qualquer%20outro%20c%C3%A2ncer.&text=Isto%20torna%20o%20melanoma%20um%20problema%20de%20sa%C3%BAde%20p%C3%BAblica.,-10

4 https://saude.novartis.com.br/melanoma-metastatico/o-que-e-melanoma/

5 http://www.sbcm.org.br/revistas/RBCM/RBCM-2011-06.pdf#page=23

6 https://gbm.org.br/o-melanoma/#tipos

7 https://www.cancer.org/cancer/melanoma-skin-cancer.html

8 https://saude.novartis.com.br/melanoma-metastatico/teste-genetico-para-melanoma-metastatico-o-que-voce-precisa-saber/

9 https://www.accamargo.org.br/sobre-o-cancer/noticias/entenda-diferenca-entre-os-tipos-de-cancer-de-pele 

10 https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-69912012000300002

11 http://www.sbccp.org.br/wp-content/uploads/2014/11/art_1110.pdf

12 https://www.skincancer.org/international/carcinoma-basocelular/

13 https://www.scielo.br/pdf/abd/v86n2/v86n2a13.pdf




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