O que é imunoterapia e como funciona

Por Camaleão 23 de Fevereiro | 2021

Em 2018, o prêmio Nobel de Medicina contemplou dois cientistas, o americano James P. Allison e o japonês Tasuku Honjo. Eles descobriram um tipo de terapia que faz com que células de defesa do organismo voltem a atacar tumores. É o que chamamos de imunoterapia.

 

A imunoterapia é um tratamento que usa o próprio sistema imunológico de uma pessoa para combater o câncer. A imunoterapia pode impulsionar ou alterar a maneira como o sistema imunológico funciona para que ele possa localizar e atacar as células cancerosas. 

 

Ela representa um novo campo no tratamento do câncer e permite abrir uma porta para obter melhores resultados com menos toxicidade em comparação com o uso das terapias tradicionais. Seu uso nos últimos anos tem se mostrado muito eficaz em tumores de diversos órgãos, como pulmão, fígado e melanoma.

 

Este tratamento funciona como uma terapia biológica, que usa substâncias feitas de organismos vivos ou versões dessas substâncias produzidas em um laboratório. Esses medicamentos usados ??na imunoterapia geram uma reação do sistema imunológico contra os tumores e permitem o ataque dos linfócitos contra os tumores, reação que no câncer não ocorre naturalmente porque o tumor não permite.

 

A medicina ainda não usa a imunoterapia com tanta frequência quanto outros tratamentos de câncer, como cirurgia, quimioterapia e radioterapia. No entanto, este tipo de tratamento já é aceito para alguns tipos de câncer, e pesquisadores estão conduzindo testes clínicos para descobrir se ele funciona também para mais tipos da doença.

 

A pessoa que tem um câncer, tem suas células se multiplicando sem parar. E esse crescimento faz com que elas se espalhem para os tecidos próximos. Uma das razões pelas quais as células cancerosas podem continuar crescendo e se espalhando é que elas podem se “esconder” do sistema imunológico. 

 

Algumas imunoterapias podem "marcar" tais células cancerosas. Isso torna mais fácil para o nosso sistema imunológico encontrar e destruir essas células. É um tipo de terapia direcionada, um tratamento que usa drogas ou outras substâncias para combater células cancerosas específicas e causar menos impactos às células normais. Outros tipos de imunoterapias estimulam o sistema imunológico a funcionar melhor contra o câncer.

 

Embora não seja a solução definitiva contra o câncer, nem tenha sido demonstrado que pode curar se administrada isoladamente, a imunoterapia aumenta a eficácia da quimioterapia, ao mesmo tempo que promove uma melhora na qualidade de vida dos pacientes.

 

Este tipo de tratamento pode ocorrer de forma intravenosa, por pílulas ou cápsulas, ou ainda como um creme para a pele. Para o câncer de bexiga, por exemplo, pode ser aplicada diretamente no órgão.  A imunoterapia, no que diz respeito a sua frequência, pode ser um tratamento realizado todos os dias, em semanas ou em meses. Algumas imunoterapias são administradas em ciclos. Tudo depende do tipo de câncer, de quão avançado está, do tipo de imunoterapia e de como funciona.

 

O que é realmente essencial é uma abordagem multidisciplinar no tratamento do câncer e que entendamos que uma única especialidade não cobre todo o procedimento, mas que diferentes departamentos devem trabalhar com um paciente simultânea e permanentemente, colaborando entre si.

 

Um caminho ainda em andamento

 

De qualquer forma, a imunoterapia tem ainda um longo caminho a percorrer. Para se ter uma ideia, até o momento a taxa de pacientes com melanoma que se beneficiaram deste tipo de tratamento foi algo entre 40% e 60%. Em outros casos de tumores, os resultados atingiram uma taxa entre 10 e 30%.

 

Mas ao que tudo indica, é uma direção promissora. Dois fatores positivos constituem uma parte importante da pesquisa focada em imunoterapia. A baixa toxicidade é um deles. Em comparação com a quimioterapia, com efeitos colaterais tão visíveis como queda de cabelo ou enjoos, a imunoterapia não causa efeitos colaterais relevantes em mais de 5 a 15% dos pacientes.

 

Além disso, o trabalho possibilita a perspectiva de vacinas contra o câncer. Numa vacina, o vírus é injetado em pequenas quantidades para que nossas defesas aprendam a nos proteger dele. No caso do câncer, essa possibilidade começa a se tornar uma realidade. Inclusive no Brasil, alguns estudos e testes clínicos estão sendo desenvolvidos, a partir de fármacos imunoterápicos. Ainda de forma experimental, o trabalho aguarda por resultados mais conclusivos.  

 

A imunoterapia torna necessária uma abordagem oncológica personalizada, em que o tratamento seja feito sob medida para as particularidades de cada pessoa.

Categorias: Blog, Melanoma

Postagens Relacionadas

@projetocamaleao

Acreditamos que o câncer pode ser uma sentença de vida!