Outubro Rosa – Diagnóstico precoce é a melhor maneira de tratar o câncer de mama

13/10/20

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Tradicionalmente em outubro, as fachadas de prédios públicos, e até algumas empresas amanhecem decorados com uma fita rosa. A mesma que dezenas, centenas e milhares de cidadãos colocam como imagem de perfil nas suas redes sociais ou no avatar do WhatsApp. Algumas pessoas utilizam o ornamento na blusa, camiseta ou casaco. É uma referência à campanha internacional Outubro Rosa, mês que a Organização Mundial da Saúde (OMS) se dedica, em sua totalidade, ao combate do câncer de mama. 

O câncer de mama é o tumor maligno mais comum nas mulheres. É causado pelo crescimento rápido e desordenado das células que revestem os ductos mamários e, se não tratado precocemente, pode avançar para outras regiões do corpo (o que é chamado de metástase).

Segundo as estatísticas mundiais do Globocan 2018 (BRAY, 2018), foram estimados 2,1 milhões de casos novos de câncer e 627 mil óbitos pela doença. No Brasil, as estimativas do Instituto Nacional do Câncer – INCA para 2020 indicam a incidência de 66.280 novos casos. O câncer de mama é segundo tipo que mais acomete brasileiras, representando em torno de 25% de todos os cânceres que afetam as mulheres.

Embora a doença não possa ser evitada, é possível realizar a prevenção a partir do diagnóstico precoce para iniciar o tratamento em seus estágios iniciais, com terapias menos agressivas e com melhores resultados. 

 

A detecção precoce apresenta-se como a principal aliada no combate ao câncer de mama. Como a doença é assintomática nos estágios iniciais, nessa fase o tumor só pode ser detectado por meio de exames de rotina das mamas, como a mamografia anual por exemplo. Esse é o momento ideal para diagnosticar, pois a ausência de sintomas não significa que o câncer não exista.

 

 

QUANDO SURGEM OS SINTOMAS

Quando algum sintoma já está presente, significa que não se está mais na fase inicial assintomática. O sinal mais frequente é, sem dúvida, a palpação de tumor, nódulo ou endurecimento na mama. 

Existem outros sintomas de menor ocorrência, como retrações ou afundamento na pele ou no mamilo, vermelhidão ao nível da pele da mama, descamação do mamilo, sangramento do mamilo e palpação de um caroço na a axila. Quando a mulher detecta algum desses sinais, ela deve consultar imediatamente um especialista para esclarecer sua origem. 

FATORES DE RISCO

Embora o câncer de mama possa afetar qualquer mulher e nenhuma esteja isenta dessa possibilidade, há fatores de risco que podem ser evitados e outros que não, como a idade e históricos familiares do problema.

Ter um fator de risco não significa necessariamente que se desenvolverá a doença, mas sim que há um risco maior da patologia surgir. Nesses casos, as pacientes devem ter alguns cuidados ‘extras’ que definirão junto com o seu médico.

No entanto, pesquisas mostram que as mudanças no estilo de vida podem diminuir os riscos. São atitudes como:

Evitar o consumo de álcool – quanto mais álcool ingerido, maior é o risco. Mesmo pequenas quantidades aumentam as chances de se desenvolver a doença.

Não fumar – há evidências de uma relação entre tabagismo e risco de câncer de mama, principalmente em mulheres na pré-menopausa.

Manutenção do peso – estar acima do peso ou a obesidade aumentam o risco de câncer de mama. Principalmente se a obesidade se desenvolver num período mais avançado da vida, especialmente após a menopausa.

Prática de atividades físicas – a atividade física pode ajudar a manter um peso saudável, o que ajuda a prevenir o problema. A maioria dos adultos saudáveis ​​deve ter pelo menos 150 minutos por semana de atividade aeróbica moderada ou 75 minutos de atividade aeróbica intensa por semana. 

Amamentação  – a amamentação pode desempenhar um papel na prevenção do câncer de mama. Quanto mais tempo você amamentar, maior será o efeito protetor.

IMPACTO NA AUTOESTIMA

Além de suas implicações gerais como doença oncológica, o câncer de mama diferencia-se de outras doenças malignas pela agressão que o tratamento pode envolver sobre a imagem feminina e seu impacto físico e psicológico:

Embora os pacientes assumam esses efeitos colaterais como parte do processo necessário para a cura, a preocupação com o tratamento cirúrgico e o efeito que ele gera na imagem corporal feminina pode ser um fator importante, principalmente nos casos em que é necessário remover toda a mama (mastectomia), assim como os indesejáveis ​​efeitos da quimioterapia,como a queda temporária dos cabelos.

Na maioria dos casos, há a possibilidade de realizar uma cirurgia de reconstrução mamária, se for o desejo da paciente. A reconstrução pode ser realizada ao mesmo tempo que a mastectomia, desde que não haja contra-indicação. 

RESULTADOS ENCORAJADORES

Felizmente, graças aos avanços científicos alcançados ano após ano, a taxa de cura é maior e com tratamentos menos agressivos. Embora não se possa afirmar que a cura ocorra em 100% das pacientes, ela está cada vez mais próxima, principalmente nos casos de diagnósticos precoces ou iniciais. E, mesmo em caso de metástase, as opções de tratamento mais atuais dão grande qualidade de vida à paciente.  

O melhor diagnóstico é aquele feito por meio de exames, ainda quando a mulher está sem sintomas. Pois se o nódulo for detectado no autoexame das mamas, significa que já é maior 1 centímetro, permitindo que seja palpável. Então, o autoexame das mamas é útil e deve ser divulgado, ensinado e recomendado para que as mulheres conheçam suas mamas e detectem o aparecimento de algum sinal de alerta nos meses entre as consultas com o médico. Porém, o autoexame não substitui a mamografia e os exames de imagem, pois não é capaz de detectar  precocemente o câncer de mama.

 

Referências:

International Agency for Research on Cancer (IARC) 

https://www.iarc.fr/featured-news/latest-global-cancer-data-cancer-burden-rises-to-18-1-million-new-cases-and-9-6-million-cancer-deaths-in-2018/

Instituto Nacional do Câncer – INCA

https://www.inca.gov.br/publicacoes/livros/estimativa-2020-incidencia-de-cancer-no-brasil

https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files//media/document//a_situacao_ca_mama_brasil_2019.pdf

https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-mama